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terça-feira, 8 de março de 2011

Nós, as mulheres

(imagem da internet)

Que coisa! Precisamos de um dia, um único dia que nos celebre só por sermos mulheres? Não seria necessário, mas aceitamos com alegria e humildade.
No entanto, somos mulheres o tempo todo, no dia a dia. Quando amanhecemos despenteadas, um olho fechado ainda no sono e o outro se abrindo para a agenda do dia. Somos mulheres no cheiro do café, no banho quase gelado para acordar, no beijo apressado para despertar e avisar a família que um novo dia começou.
Somos mulheres na frente do espelho, parando um pouquinho para descobrir uma ruga nova, um começo de cabelo branco teimoso que cresceu para além da tintura, procurando uma certa beleza naquele rosto tão familiar. Somos mulheres no baton que colore, no lápis que realça o olhar, no pente, ou escova, que procuram o lado certo para o penteado.
Somos mulheres diante do armário, naquela indecisão sobre que roupa vestir e decidindo por aquela que faz jus ao nosso estado de espírito naquele momento.
Somos mulheres no salto do sapato, na bolsa cheia de quinquilharias - todas necessárias! -, no tilintar das chaves do carro, no abandono do conforto e proteção da casa para cair na rua e na rotina de mais 24 horas.
Somos, também, mulheres quando a turma sai e nós ficamos, olhando eles irem, cada um para seu mundo. Somos mulheres naquela espreguiçada looooonga, no leve sorriso pelo tempo de solidão e calma, brevemente interrompido pelas tarefas que esperam, prosaicas. Ou damos as coordenadas para a outra mulher em nossas vidas - a funcionária doméstica -, ou vamos 'colocando a mão na massa', limpa daqui, organiza dali, preparando um cardápio na cabeça e investigando a geladeira para ver se temos tudo de que precisamos.
Somos mulheres colocando para fora o lixo do dia anterior e trocando uma ou outra palavrinha com o vizinho, ou a vizinha, na porta de casa, ou com a faxineira do prédio, outra mulher cumprindo sua parte na limpeza do mundo.
A família pode vir, ou não, para o almoço - e aí somos mulheres comendo sozinhas uma salada ou um sanduíche, ou apresentado uma comida caprichada, que o marido e os filhos comem sem prestar muita atenção, com a cabeça nas nuvens, ou em suas próximas atividades. De vez em quando, um elogio nos deixa com a sensação de que valeu o esforço e de que somos criaturas especiais.
Vem a tarde e vamos gastar competência no trabalho, ou calorias na academia, porque o mundo nos cobra muito mais só por sermos mulheres. Somos mulheres, ainda, na mãe que controla as horas da prole no computador, verificando se estão cumprindo as tarefas escolares, se precisam de uma conversa, um ombro confortador, ou só um pouco de privacidade.
Cai a noite e somos mulheres no banho morno e no perfume, na roupa confortável, mas bonita, para esperar aquele que, naquele momento, vira namorado, amante, ou simplesmente um guerreiro cansado procurando colo. E somos mulheres quando fazemos amor, ou buscamos companhia nas redes de relacionamento antes que o sono nos vença e esqueçamos que somos mulheres, para sermos só seres humanos precisando renovar as energias.
Somos mulheres, sim! E neste 8 de março aceitamos, com carinho e gratidão, o reconhecimento!