(imagem do Facebook - album particular) Tenho a honra de ser amiga de Flávio Venturini. Não por ser ele a pessoa famosa que é, justa e merecidamente. Encontramo-nos há mais de 40 anos e, nessa época, ainda não havia a fama. Eu namorava um sujeito que foi companheiro dele no serviço militar, no CPOR, aonde eu ia nas noites em que eles 'davam serviço' para levar chocolates e café, que, supostamente, ajudariam a passar o tempo. Era muito divertido. Uns anos depois o namoro terminou, mas continuamos todos amigos. As memórias que tenho desse tempo são permeadas pelas canções dos Beatles; pelas musicais tardes de sábado passadas no terraço de um ap à Rua Santa Catarina, em Belo Horizonte, onde uma banda, que tocava em bailes, ensaiava; pelos almoços saborosos de Madala, durante os quais se curtia o clima de carinho e amizade com a família: Seu Hugo, lindinho, olhinhos azuis; D. Dalila, sorridente e de voz suave e carinhosa; Flávio, que eu conhecia como Hugo, seu segundo nome, essa pessoa doce que todos conhecem; e um Cláudio ainda menino, bonito e tímido, que rodeava, caladinho, a nossa turma, enquanto desmontava e montava aparelhos eletrônicos e outras coisas. Lembro-me, também, das tardes dançantes de domingo, quando acompanhávamos a banda, e das viagens quando eles iam tocar em outra cidade. Havia as noites em que ficávamos horas tentando tirar letras de músicas em inglês - eu era a que sabia um pouco mais, pois estudara no ICBEU - e havia as saídas e festas temáticas, onde nos embebedávamos e nos achávamos o máximo!
Uns anos depois, aconteceu o Festival Universitário da Canção aqui em BH e a canção da dupla Venturini e Vermelho - Espaço Branco - ganhou o segundo lugar, sendo interpretada por um grupo novo, chamado O Terço, que viera do Rio de Janeiro para o festival. A partir daí a carreira de músico do meu querido amigo deslanchou. Logo, logo ele foi viver no Rio e integrar a nova formação d'O Terço. E eu fiquei por aqui, fazendo faculdade, vivendo a minha vida e, um tempo depois, construindo a minha própria família. Ou seja, as estradas se separaram. Mas não os corações. Continuavamos amigos como antes e mantinhamos o contato como e quando era possível.
Pouco nos vemos atualmente: ele tem uma carreira movimentada e eu uma família para cuidar. Não posso fazer parte da troupe de amigos que está sempre com ele em suas andanças por aí. No entanto, sinto-o tão perto de mim como antes, por causa dos laços amorosos que tecemos. Falamos pelo telefone sempre que dá e são papos compriiiiiidos. Trocamos mimos pelo Facebook. Admiro-o não só pelo talento, mas principalmente pela pessoa que é, definitivamente 'do bem'. É um homem doce, manso, afetuoso e um amigo leal, qualidade rara nos dias atuais e que tive inúmeras oportunidades de comprovar.
Estou particularmente orgulhosa de Flávio neste momento, em que ele assina a trilha sonora do filme As Mães de Chico Xavier. Não é apenas porque sou espírita. É porque vejo, a cada dia, sua competência e seu talento mais e mais reconhecidos. Este filme será exibido no Festival de Cannes em 13 de maio, um dia significativo para os brasileiros. Não competirá, será apresentado apenas para exibidores. Porém, se está em Cannes é porque tem qualidade reconhecida. Mais um trabalho importante para uma carreira já tão cheia de conquistas.
Flávio, meu caro amigo Hugo, você sabe que estou sempre aqui: torcendo por você e para o que mais precisar. Amo você e minha família o ama também.
Amigos assim são para sempre, como os diamantes.