Estive no sítio, depois de um tempinho em BH. A Serra da Moeda continua linda, mas a Gerdau vem cortando...
Tempo de seca. Muita poeira, tudo meio amarelado, tapetes de folhas pelo chão. Agora é a hora das cítricas: afinal, a natureza é perfeita. Falta chuva, ela compensa com frutos suculentos, para alegria dos pássaros e dos saguis. Espalhamos bandejas com mexericas perto da cozinha e começa a chegar a passarinhada: gaturamos, saíras, sanhaços, pampas, sabiás, saracuras, tico-ticos e cambacicas. O esquilinho da Mata Atlântica chega a vencer sua timidez, para também farrear com a generosa oferta de comida. À noite, a corujinha suindara, que pela quarta vez faz ninho no telhado do nosso quarto, sai à caça, fazendo seu som de rapina.
No meio dessas criaturinhas de Deus, chegam também famílias inteiras de saguis, com estrelinhas na testa e carinha levada, para usufruir do banquete sem ter que fazer muito esforço. Gosto muito de bicho. Talvez até mais do que de gente. Meus amigos humanos são poucos e selecionados. Tem muita coisa estranha por aí... melhor não arriscar.
Como sempre, muito trabalho. É preciso molhar as plantas duas vezes ao dia, porque o ar seco e o frio maltratam muito. Eu sinto na pele: fica ressecada, esbranquiçada, pedindo hidratação e cremes o dia inteiro. Há que fazer as podas de agosto, porque a primavera está para chegar. Varrer as folhas do caminho e usá-las como cobertura do solo, para mantê-lo sempre úmido.
Em compensação, tem oxigênio a vontade, livre de poluição; manhãs de céu escandalosamente azul, quase sem nuvens; o canto das aves e a gritaria dos micos, retribuindo o nosso cuidado.
É sempre muito bom... Deus conserve! Nós também!
(imagens do google)