quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vitamina B12 e diagnóstico de Alzheimer: um equívoco possível

(imagem do bing)
Bom dia, amigos! Haverá aqueles que acharão que 'peguei um pouco pesado' em minha primeira postagem de 2012. Faço a autocrítica e esclareço que tudo que foi dito está valendo também para mim - como todo mundo, abusei um pouco na passagem do ano. Sem culpa, mas sabendo que agora é hora de compensar. É bom ter saúde e ser feliz com nossa força de vontade. E nem tão difícil assim. É só criar hábitos e esforçar-se por mantê-los. Fazemos isso em outros setores de nossas vidas; podemos fazê-lo também com nossa alimentação. Estarei sempre repetindo isso aqui, tentando estimular e apoiar quem se propõe a fazer mudanças.
Bem, continuo lendo, lendo e lendo tudo que me cai nas mãos sobre nutrição. Aquilo que não considero confiável (crivo meu), descarto; o que julgo relevante, venho postar. Outro dia estava acompanhando o diálogo de dois amigos vegetarianos no facebook e suas dúvidas em relação  vitamina B12, geralmente ausente nas dietas a base de vegetais. Digo geralmente porque há aqueles que não comem carne de qualquer espécie por uma questão ética: compaixão pelos animais. Mas ingerem laticínios e ovos. Há, no entanto, outros que não ingerem o que quer que seja de origem animal. Nesses casos, manifesta-se realmente uma carência de vitamina B12. Reproduzo aqui um artigo interessante que encontrei em um jornal de circulação diária em Belo Horizonte: trata-se de O TEMPO, de 12 de dezembro de 2011. As matérias sobre saúde no jornal são feitas em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Aí está o artigo.
FALTA DE VITAMINA B12 PODE SER CONFUNDIDA COM MAL DE ALZHEIMER
Falta do composto no organismo agrava sintomas de outras doenças
(Jane E. Brody - The New York Times)
Ilsa Katz tinha 85 anos quando sua filha, Vivian Atkins, começou a notar mudanças em seu comportamento. Suas ações indicavam perda de memória e confusão mental.
"Inicialmente, imaginei que era normal. Mas, com o tempo, os sintomas foram piorando e os problemas se tornaram mais frequentes e mais severos. Ela ficava cada vez mais agitada", conta Vivian. A mãe já não conseguia se lembrar de nomes de parentes, ou em que dia da semana estavam.
Um teste de memória em uma clínica resultou em um diagnóstico de princípio de Alzheimer, e a mãe precisou tomar o medicamento Aricept, que, segundo a filha, só piorou a situação.
Ainda na clínica, Ilsa fez um exame sanguíneo que revelou níveis de vitamina B12 bem abaixo do normal. Como o médico suspeitava, a falta da vitamina contribuía para a piora dos sintomas.
Ilsa passou a tomar injeções semanais de B12. "Logo após as primeiras doses, ela ficou menos agitada, menos confusa e sua memória se recuperou bastante", afirma a filha. "Senti que tinha minha mãe de volta. E ela também se sentiu melhor."
Hoje com 87 anos, Ilsa ainda vive sozinha em Manhattan e se sente bem o suficiente para recusar assistência de enfermeiros. 
Sua filha, indignada, ainda se pergunta: "Por que diabos não testamos os níveis de B12 rotineiramente, principalmente em pessoas mais velhas, se a vitamina é tão importante?"
A pergunta é válida. Quando envelhecemos, nossa capacidade de absorção de B12 a partir dos alimentos diminui, bem como nosso consumo de alimentos ricos nesses composto.
É preciso ficar atento. Deficiências de B12 aparecem sem deixarem rastros e, muitas vezes, apresentam sintomas que, muito comuns, geram diagnósticos errôneos de outras doenças, ou simplesmente associados ao envelhecimento.
Deficiência resulta em anemia
A B12 é uma vitamina essencial para o organismo, desempenhando funções por todas as partes do corpo. Ela é necessária para o desenvolvimento e a manutenção de um sistema nervoso saudável, para a produção de DNA e para a formação de células sanguíneas. 
A deficiência severa de B12 resulta em anemia, que pode ser diagnosticada facilmente com um teste sanguíneo. Mas os sintomas menos dramáticos incluem desde fraqueza muscular, fadiga, tremores, andar descompassado, incontinência urinária, pressão baixa e até depressão e outras mudanças no humor.
As doses diárias de vitamina B12 recomendadas variam entre os médicos. Em geral, as médias giram em torno de 2,4 microgramas diários para pessoas acima de 14 anos, 2,6 microgramas para mulheres em período gestacional e 2,8 microgramas para mulheres em período de amamentação.
As doses não são difíceis de se conseguir. Em geral, a B12 está presente em alimentos de origem animal. Cada 100g de fígado (que não recomendo, por ser também o órgão que mais acumula toxinas em qualquer animal, grifo meu) contêm cerca de 80 microgramas. Outras fontes são carnes vermelhas, peixe e peru. Quantidades menores podem ser encontradas em laticínios, nos ovos e no frango.
Cuidados básicos facilitam o dia a dia
Doenças. Como a ausência de B12 gera sintomas comuns, é preciso ficar diariamente atento a alguns aspectos:
Vegetarianos. Muitos deles, bem como crianças em fase de amamentação, precisam consumir suplementos de B12 ou cereais fortificados para absorver as quantidades necessárias.
Bactérias. Determinados organismos, como alguns tipos de bactérias, contém pseudo-B12, que o corpo não consegue usar, mas aparecem nos exames de sangue. Isso pode acabar enganando os médicos.
Absorção. Para ser absorvida, a vitamina B12 precisa ser combinada com uma substância presente no estômago. Quem apresenta problemas gástricos, muitas vezes precisa suprir a necessidade com injeções.
Medicamento. Pessoas que tomam remédio com certa frequência - via oral - também podem ter dificuldades de absorção.
Envelhecimento. A absorção diminui com a idade porque o organismo passa a produzir menos ácido estomacal.
Flash
Solúvel. Como todas as vitaminas do complexo B, a B12 é solúvel em água. O corpo armazena B12 extra no fígado e em outros tecidos. Mesmo se a dieta não suprir as necessidades diárias, sintomas podem levar anos para aparecerem.

Na minha modesta opinião, a matéria dá uma visão geral e bastante completa do assunto. Quero apenas acrescentar que não se toma qualquer tipo de droga, mesmo que seja um suplemento, sem a indicação médica. E a manutenção de B12 não deve virar desculpa para abusar de alimentos de origem animal, porque eles também têm seus aspectos prejudiciais, como todos já sabemos. 
Longa postagem, não? Fica no blog, para consultas sempre que desejarem. Um abraço. 

6 comentários:

Cristina disse...

Ângela

Um médico já me disse que a vitamina B12 auxilia na prevenção do alzhmeir. Eu estou tomando desde julho, a infectologista me receitou por conta da osteomielite e eu me sinto muito bem, com mais disposição. Muito bom seu post. Um abraço!

Cancer de Mama Mulher de Peito disse...

A matéria é ótima!
Meu histórico com a B12 vão de muitos anos atrás.
Uma anemia forte, a diabinha doe na veia que é uma beleza.
Mas estou aqui firme forte e saltitante.
Bjs.
Wilma
www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com

Regina Rozenbaum disse...

Quando faço exame neuropsicológico além de solicitar que tragam exames de imagem cerebral (ressonância, tomografia)peço exames laboratoriais...exatamente para verificar por quantas andam a dosagem de B12 (ausência?)entre outros biomarcadores. Postagem bacanérrima amada! Ah, não penso que tenha "pegado pesado" na última postagem, pelo contrário...sua marca registrada, uma escrita leve e amorosa, sempre nos alertando!!!
Beijuuss, estalados de novos, n.a.

Carla Fernanda disse...

Muito interessante artigo Ângela!
Querida,
Estou de férias por um tempo.
Deixo para vc meu carinho e meus agradecimentos por sua linda e especial amizade que me dá muitas alegrias.

Beijos!

Luís Coelho disse...

Vale a pena ler e ficar informado.
Depois depende de cada pessoa escolher o melhor para si.
Ter capacidade e força de vontade para se alimentar e viver correctamente.

Paloma Egidio disse...

a algum tempo que estou lendo sobre esse tema, acho isso muito interssante para a área da Nutrição, logo se trata de uma prevenção e ajuda para essa doença que acomente principalmente a classe com mais idade. Estou em fase de decisão do meu projeto de TCC do meu curso, quería muito falar sobre isso, mas vejo que ainda está para ser melhor esclarecido.