sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Vai de Melissa officinalis? Ou Physalis Angulata L.?

Hoje tenho duplo compromisso: o de publicar sobre duas plantas medicinais, para atender as necessidades específicas de dois seguidores e amigos.
Um deles está com problemas de acúmulo de secreção no tubo respiratório em razão de uma cirurgia recente, que ainda está cicatrizando. Normal: a secreção sempre é uma proteção para feridas abertas e o resultado da própria recuperação do organismo. Para ele, Melissa officinalis.

Quem é ela? Nossa muito conhecida erva-cidreira, por vezes confundida com o capim-cidreira. Não são a mesma planta. A erva é de pequeno porte e que cresce como a hortelã e até se parece com ela. A diferença, na aparência, é que a folha da hortelã termina arredondada e a terminação da cidreira é mais pontuda. Já o capim é uma gramínea, parecida com qualquer capim de beira de estrada, porém com um perfume inconfundível. Ambas são medicinais, mas têm usos específicos.
Avicena, grande médico árabe do século XI, já afirmava que a melissa "tem a admirável propriedade de alegrar e confortar o coração". Desde o princípio do século XVII, os monges carmelitas descalços preparam com esta planta a famosa 'água dos carmelitas', que foi um remédio muito popular contra os desmaios e crises nervosas, possívelmente decorrentes de histeria, ainda desconhecida como tal, e que acometia com frequência os religiosos confinados.
Suas folhas e flores contêm cerca de 0,25% de óleo essencial, rico nos aldeídos (= uma classe de compostos orgânicos) citral e citronelal, que respondem por sua ação antiespasmódica (espasmo = contração involuntária, com ou sem dor), sedativa, carminativa (= contra gases), digestiva e antisséptica (= desinfetante, que impede a contaminação). Esta última indicação é a adequada para eliminar secreções.
É útil nos seguintes casos:
1. Problemas nervosos: excitação, ansiedade, dores de cabeça de origem nervosa;
2. Estresse e depressão: funciona como um sedativo suave, equilibrador do sistema nervoso;
3. Insônia: tomada à noite, ajuda a vencê-la;
4. Cólicas menstruais;
5. Cólicas abdominais, gases, enjoos e vômitos;
6. Externamente é antisséptica, antifúngica (contra fungos da pele) e antiviral ( eficaz, inclusive, contra o vírus do herpes).
USO INTERNO
1. Infusão: 20-30 g de planta por litro de água. Tomar 3 ou 4 xícaras por dia.
2. Extrato seco: É costume administrar 0,5 g 3 vezes ao dia. Extratos secos vêm em cápsulas, preparadas em farmácias de manipulação.
Importante: Como se faz uma infusão? Coloca-se a água para aquecer e, assim que ferver, desliga-se o fogo e derrama-se a água sobre as folhas, abafando por, no máximo, 3 minutos. Retira-se as folhas e guarda-se o líquido para consumo. Aliás, deve ser assim com qualquer chá de folhas e flores.
USO EXTERNO
1. Compressas: Aplicam-se embebidas em uma infusão preparada na proporção de 30-50 g de planta por litro de água.
2. Banhos: A mesma infusão adicionada à água do banho por imersão. Caso não tenha banheira, minha sugestão é que coloque as folhas em um saquinho de pano fino e amarre na vazão do chuveiro. Eu faço assim.
3. Fricções: Aplicam-se com a essência diluída em álcool (álcool de melissa).
Como a melissa é planta de pequeno porte e ótimo calmante, procure tê-la em casa, plantada em vaso mesmo, para os momentos de crise. Quem não os tem?


Minha amiga enviou-me mensagem pelo skype, perguntando sobre a Physalis Angulata L. Disse-me que vai ganhar uma muda de uma conhecida, mas que a moça conhece a planta por outro nome. São vários: tomate-verde, tomate-capucha, camapu, dentre outros.
Esta plantinha, originária do México, nasce à beira das estradas de grande parte da América e a espécie angulata é cultivada também em Cabo Verde e Angola. Seus frutos são considerados um presente para aos caminhantes, por possuírem alto teor de água.
Seus frutos são indicados como diuréticos e levemente laxantes.
Seus caules e folhas contêm saponinas (substâncias que espumam na água, agindo como detergentes) e enzimas (preoxidases = antioxidantes). Por isso, são usadas contra erupções da pele, por seu efeito cicatrizante e anti-inflamatório. Tem sido usada com êxito em decocções no tratamento da psoríase, uma afecção da pele de origem hereditária, caracterizada pelo aparecimento de placas cobertas por escamas esbranquiçadas, mais comuns na cabeça e nos membros, podendo, no entanto, ocorrer também na região genital.
Esta mesma decocção de caules e folhas tomada por via oral é expectorante e antitussígena (= calmante da tosse).
USO INTERNO
1. Decocção: Ferver por 15 minutos 30 g de caules e folhas em um litro de água. Tomam-se 2 a 3 xícaras por dia. Pode-se adoçar com mel (é azedinha). Decicção é o modo como se prepara chás de caules e sementes.
USO EXTERNO
1. Compressas, embebidas no líquido da mesma decocção que se usa internamente.
2. Loções, sobre a parte doente da pele, com o mesmo líquido.
Postagem um pouco longa, porém espero ter esclarecido meus dois amigos. É para isso que o Notícias da Cozinha existe.
Um abraço.
Fonte: Enciclopedia de las Plantas Medicinales
Copyright da edição original: Editorial Safeliz, S.L., Madrid (Espanha)
As imagens que ilustram esta postagem encontrei no google imagens.

6 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

Acho que nunca vi a erva-cidreira...só o capim mesmo. E nem a Angulata, que na foto me lembrou aquela frutinha chique (me esqueci o nome)que o povo mai$$$ chique ainda serve de sobremesa acompanhando sorvetes etc em jantares, almoços...Afff que não me lembro, mas não tem sabor de tomate nauuummm é doce, nadica ácido.
Beijuuss n.c.

ClaudiaV disse...

Uso muito a Erva-cidreira em cha e adoro!
O capim nunca o vi.

Cancer de Mama Mulher de Peito disse...

Angela.
Aqui nós temos a Erva Levante que é para problemas respirátórios, uso como expectorante, ela é bem parecida com essa da foto um misto de hortelã com puejo.
Muito encontrada nos matos.
Agora preciso urgênte frequentar essas festas chiques da Regina.
Estou louca querendo saborear uma Fisalis, só sendo penetra para conseguir.
Bjs.
wilma
www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com

Angela Fonseca disse...

Conheço o levante, tenho plantado lá no sítio. Quanto à espécie milionária, posso estar enganada, mas acho que a frutinha em questão é conhecida como uvaia. Esta sim, é chique mesmo! Enfim, continuamos na pesquisa. Beijinhos para vocês duas, Rê e Wilma.

Bloguinho da Zizi disse...

Bom dia Angela.
Temos no Sistema de Florais St Germain o floral cidreira, mas aí é a flor do capim cidreira.Maravilhoso.
http://www.fsg.com.br/florais_detalhes.php?num=35

Hoje achei umas coisinhas interessantes e achei que vc gostaria de ler, se é que já não sabe..
http://cantodofengshui.blogspot.com/2010/03/ervas-e-feng-shui-um-tempero-energizado.html
é do blog da Cris Ventura.

Angela, se vc achar que pode e que deve me passa seu e-mail.
O meu é masfdinelli@hotmail.com

Beijinhos

Cristina disse...

Ângela
Saudades de vc minha amiga! Agora estou melhor , tive síndrome do pânico e não foi fácil, to tomando rivotril, fazer o que, tinha 13 anos que eu não tinha isso e do nada veio. Eu conheço a rva cidreira, a conheço por melissa, na casa da minha mãe tem um pé. Quando der entro de novo na net. Reze por mim minha amiga, para que tudo isso passe logo. Um abraço cheio de saudades para vc!