quinta-feira, 6 de maio de 2010

De volta. Ou de ida?

Brrr! Que frio! No sítio, de madrugada, chegamos aos onze graus, mas com a sensação térmica de menos ainda. No entanto, as manhãs, com cerração, lá no alto da serra, e o sol chegando de mansinho, rasgando as nuvens baixas e abrindo um céu azul profundo são puro deleite.
É o tempo dos marrons, dos ocres, dos dourados, do vento suave mas permanente, das borboletas noturnas, da volta dos pássaros em busca de comida, que já anda escasseando na mata. Outono. Tempo de plantar a horta, porque a chuva, agora, não lava mais os canteiros, vem apenas ajudar a brotar. Tempo de alimentos mais processados, pois os crus são companheiros do verão. Enquanto, no hemisfério norte, dois graus abaixo de zero e uma neve fora de hora fazem a supresa dos espanhóis, por aqui já pensamos em por os edredons e as mantas para tomar sol, porque o inverno vem aí. Ainda faz calor no meio do dia, mas já não é o mesmo de um mês atrás. Bom também!
Trabalhamos muito por lá, nesses últimos dias. Há que limpar o mato que cresceu no tempo das águas, colher as frutas do momento, como os abacates e as mexericas, cuidando de cortar os ramos onde crescem, para que continuem a produzir. As franguinhas vão virando belas galinhas rosadas: são de uma raça considerada como 'caipira' na França - la belle rouge. Ovos em profusão. E aí, não dá para resistir: com o tempo mais frio, a noite pede pipoca - com chá verde e seus preciosos polifenóis! -, bolos e biscoitos (sem gordura trans!) e uma ou outra sopinha para aquecer o corpo e a conversa.
Tinha plantado gengibre quase no final do ano passado e agora colho uma raiz bonita, clara, fresca, para por nos cozidos e prevenir a gripe, já que também ela é globalizada e a mídia reacende a paranóia com o novo vírus. As mandiocas amarelas, macias, estão quase no ponto e vão virar caldinhos fumegantes, com muita cebolinha verde para temperar e tomilho para aromatizar, dilatando os vasos e as artérias que teimam em contrair-se com o frio.
Difícil é não ganhar um pouco de peso, que a gente vai descartando em longas caminhadas, seguindo o curso do rio, e na lida diária, já que, livre do calor, o corpo fica menos preguiçoso e mais disposto.
Estou de volta a BH. Ou de ida na próxima semana? Sei lá! Sei que esse tal de vai-pra-lá, vem-pra-cá é muito estimulante e me mantem cheia de entusiasmo e amor pela vida.
E as notícias da cozinha vão chegando...

5 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

Ângela, amada!
Que delícia...me imaginei lá, proseando, mãos na terra, pés descalços. Será que vamos finalmente ter um friozinho??? Mesmo que esse vai e vem seu é de dar gosto, espera um cadim prá na semana que entra iniciarmos, só iniciarmos nosso tricô! Aproveito para deixar um beijo enorrrrrrme nesse coração iluminado pelo DIA das MÃES!

www.toforatodentro.blogspot.com

Angela Fonseca disse...

Obrigada pelo beijo, que retribuo. Ser mãe é também uma arte. Vou ficar aqui, sim, na próxima semana e tricotaremos com certeza. Aguardo seu sinal. Bjs

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

No ioiô de ir e vir, a sua plantação cresce, seu jardim florecse e o grupo de amigos agradece. Ih... rimas... Baixou poeta? Delícia de "post"! Vou querer experimentar esse gengibre "naturalíssimo"! Em tempo, "serração" é ato de serrar, cortar, termo mais afeito à prolação peninsular que tropical. Creio que seu desejo era dizer da "cerração"... Ai como su chato!
beijinho

Angela Fonseca disse...

Chato nada! Estava falando da serra e foi tudo no mesmo embrulho. Pode continuar corrigindo, não me avexo não. Valeu! Claro que você vai provar do gengibre, num franguinho caipira ensopado, ou mesmo numa sopinha, ou ainda num suco de frutas. Ou nos três, dependendo do tempo de sua estadia lá. Saudades!... Bjs

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Uai... Com gengibre vai durar mais então!
beijinho