domingo, 9 de maio de 2010

Muito prazer: Zingiber officinale Roscoe

Também conhecido com mangarataia, ou mangaratiá, o gengibre é uma das mais antigas e famosas plantas medicinais do mundo, usado na prática médica popular de quase todos os povos do planeta. Na China, por exemplo, o chá de gengibre, de sabor acre e desagradável, feito com pedaços de gengibre fresco fervido em água, tem sido amplamente indicado para gripes, tosses, resfriados e até ressacas. Na medicina tradicional chinesa o gengibre é, também, considerado um reparador dos males dos pulmões e dos rins. Já no Japão, a massagem com óleo de gengibre é tratamento tradicional para dores de coluna e das articulações. Compressas de gengibre são usadas em muitos lugares do mundo para aliviar a congestão nasal, problemas dos rins, cólicas menstruais e várias outras dores, desconfortos e doenças. Um chumaço de algodão embebido com óleo de gengibre é um tratamento comum contra dores de ouvido. Já me ajudou muitas vezes quando meu filho era pequeno, uma vez que crianças geralmente apresentam otites, mais ou menos dolorosas. Intuitivamente, aquecia um pouquinho o óleo - bem pouquinho! - e colocava no ouvidinho dele: o alívio era imediato. Alguns fitoterapeutas têm recomendado banhos e compressas quentes de gengibre para aliviar os sintomas de gota (um reumatismo de juntas), artrite, dores de cabeça e de coluna. O escalda-pés, pratica médica antiga mas muito eficaz, feito com gengibre funciona como um revigorante para todo o corpo.
As propriedades terapêuticas da planta se devem ao óleo essencial, que contém, entre outras substâncias, canfeno, felandreno, zingebereno e zingerona, todos eles analgésicos potentes, segundo os especialistas. Perguntem aos que usam a voz como ferramenta de trabalho: a grande maioria recorre a pastilhas de gengibre para evitar problemas de garganta que possam interferir em sua atividade.
No quesito alimentação, o gengibre é mais conhecido no Brasil como ingrediente do popular quentão, uma bebida ligada à tradição das festas juninas, e a alguns pratos, mais ou menos sofisticados, geralmente procedentes de outras culturas e hábitos alimentares.
Ao longo desses anos de pesquisa e experimentação culinária, tenho descoberto, e mesmo inventado, outros usos para incorporar essa raiz forte à minha dieta saudável. Na minha modesta opinião, comida sadia há que ser também saborosa, senão não teria a menor graça, já que comer é um dos maiores prazeres sensoriais de que dispomos. Assim, vou misturando os ingredientes de modo que o resultado final seja sempre saboroso.
Vou passar para vocês algumas de minhas alquimias. Como o gengibre aquece o corpo e dilata os vasos sanguíneos, é um alimento fantástico para o inverno que se anuncia - virá? Em tempos de aquecimento global nunca se sabe... O fato é que há uma ameaça de gripe por aí, assim que a temperatura cair, e não custa prevenir.. com prazer!
Voltarei com as receitas. Au revoir!

2 comentários:

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Será que colocar mel no chá de gengibre melhora o "sabor acre e desagradável"?
Será?! Será?! Será?!
beijinho

Angela Fonseca disse...

Sim. É um segredo que eu sempre deixo para o final, porque vai que a pessoa não sente necessidade do mel, que sempre tem um pouquinho de calorias... Aí, eu sugiro e a pessoa já acrescenta, sem ao menos experimentar... Paladar é como digital. Eu, por exemplo, não dou conta do amargor. Ponho o meu melzinho, ou stevita. Bjs