segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma história com sabor de Natal



Minha amiga Patricia Madelaine, a Patty, nasceu na ilha de Guadaloupe, nas Antilhas francesas. Muito jovem, porém, mudou-se para a América com a mãe, Geneviève, uma jovem viúva recém-casada com um americano 'da gema', o Vick, também viúvo, mas não tão jovem, que cuidou de minha amiga como se fosse sua própria filha. Foram viver perto de Boston, Mass, uma região onde se preservam as mais antigas tradições americanas, por ter sido o lugar por onde os primeiros peregrinos ingleses entraram no novo país.

Criada tradicionalmente, Patty, no entanto, possuia uma alma cosmopolita e logo conheceu um 'gato' brasileiro, Gilmar, descendente de italianos, que morava e trabalhava nos Estados Unidos há oito anos, em busca do 'sonho americano'. Apaixonaram-se, casaram e tiveram um filho, David José, um nome americano e outro brasileiro, como convinha a um casal plurinacional. Um dia, o motivo não importa muito, vieram para o Brasil, reiniciar a vida por aqui. Gilmar tornou-se sócio em um pequeno negócio da família e Patty foi ensinar inglês em uma escola de idiomas, onde eu também ensinava.

Foi lá que nos encontramos pela primeira vez, em 1995. Foi um encontro forte: olhamos uma para a outra e houve o que eu chamo de 'reconhecimento' - tenho certeza de que já nos conhecíamos de outras vidas. Nos olhamos nos olhos, sorrimos - ela muito timidamente, era o seu jeito... - e quando começamos a conversar parecia que tínhamos nos despedido no dia anterior e estávamos apenas reiniciando a conversa interrompida.

Havia muitos gostos em comum - e muitos pequenos detalhes também. Comecei a chamá-la de 'irmã de alma' e tecemos um amor e uma amizade sincera que durou 10 anos, quando ela voltou com a família para a América, em 2005, de onde partiu para o plano espiritual em 2006, exatamente no mesmo dia em que minha amada mãezinha também se foi. Gilmar, David e Geneviève continuam meus amigos queridos.

Tudo entre nós foi muito intenso, parecíamos saber que o tempo seria curto e tentamos aproveitá-lo ao máximo.

Uma das coisas que tínhamos em comum era o gosto pelo Natal. Para alguém que viveu em um lugar tradicional dos Estados Unidos, era natural que assim fosse. Mas, eu, brasileira, possuia uma visão de Natal muito diferente da maioria dos brasileiros, para quem esta data é ou um momento de tristeza, pela saudade dos entes queridos que já se foram; ou um período de consumo desenfreado; ou, ainda, uma época de excessos à mesa. Sempre gostei de montar a árvore em casa e decorar tudo com enfeites que fui juntando ao longo da vida. O presépio ocupa lugar de honra. Amo enviar mensagens, ver filmes sobre o tema, cantar as canções de época junto aos meus queridos e fazer minhas homenagens ao Grande Aniversariante do dia. Na véspera, gosto de preparar uma refeição singela e compartilhá-la com os meus mais próximos, em uma mesa preparada com carinho e esmero e cheia de velas acesas e, depois, fazer com todos uma oração de agradecimento pelas bênçãos recebidas.

Acontece que sou um pouco preguiçosa e não gosto nadinha de pratos complicados. Patty, ao contrário, adorava experimentar coisas elaboradas e nunca se esquecia do tradicional peru recheado, com um molho chamado gravy, e uma bela torta de maçã com a crosta bem crocante. Ela preparava milhares de crostas, até acertar o ponto. Como eu não dispunha da mesma paciência, acabou por conseguir uma receita de torta de maçã de fácil preparo e sem crosta, para que eu também pudesse ter a minha iguaria típica no Natal.

É esta receita que passo agora a vocês, caso queiram prepará-la para sua ceia com a família e os amigos. É uma torta pequena e, dependendo do número de pessoas à mesa, melhor fazer mais de uma, ou duas. Mas não tente dobrar a receita: segundo um amigo que experimentou, não funciona. Aí vai.

TORTA DE MAÇÃ DINAMARQUESA (Dannish Apple Pie)
Ingredientes
1 ovo
150 g de manteiga
1 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de farinha de trigo (eu misturo um pouco de integral)
3 maçãs verdes, ou da nossa Gala brasileira, que é levemente ácida
1 colher (sopa) de açúcar, misturada com 1 colher (sobremesa) de canela em pó
1/2 xícara de nozes trituradas
Modo de preparo
Em uma vasilha misturar bem o ovo, a manteiga, a farinha de trigo, o açúcar e as nozes. Resulta uma textura bem densa. Descascar as maçãs, parti-las em quatro no sentido do comprimento, tirar as sementes e cortá-las em fatias finas em formato de lua crescente. Em um pyrex de cerca de 25 cm de diâmetro, untado levemente, colocar as fatias de maçã fazendo um arranjo em círculo. Sobre elas, polvilhar o açúcar e a canela previamente misturados, cobrindo tudo.
Delicadamente espalhar a massa já pronta sobre as maçãs polvilhadas, com a ajuda de uma espátula, ou uma colher. Quando estiver bem distribuída a massa, faça desenhos com um garfo sobre a superfície e leve para assar em forno médio, até que adquira uma cor dourada. Espere esfriar e sirva.

É simples, mas posso garantir que é de-li-ci-o-sa! Todo mundo que já experimentou esta minha simples tortinha, comeu a valer e pediu a receita. Depois me contem. Beijos.

6 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

Que dilícia de história...como ando meio traumatizada com a minha, mais recente, incursão no volante de um fogão rsrs vou deixar prá um dia fazer essa receita!
Que bom que chegou!!! Nos falamos, né?
Beijuuss n.c.

Cancer de Mama Mulher de Peito disse...

Adorei a história,e quanto a torta vou passar a receita para a D. Senhorinha.
É menos arriscado...
Um beijo
Wilma
www.cancerdemamamulherdepeito@blogspot.com.br

Karina - Frei-Sein disse...

Olá Angela, vim virar uma seguidora do teu blog em indicação de uma querida amiga de blog e adorei muito tudo o que encontrei aqui e creio que sua experiencia poderá me orientar também!!
Tenho 26 anos e um tumor no cerebro localizado na hipófise, como uso muito rémedio busco soluções de desintoxicação nos alimentos e estou aprendendo bastante coisa interessante!!
Beijos da sua mais nova admiradora e seguidora!!

Kimbanda disse...

Olá querida Angela,

Saudade daqui e de ti.
Gostei muito da história que nos contas,apesar do que entretanto aconteceu, como dizes aproveitaram bem os momentos como se à partida soubessem que seriam de pouca dura a possibilidade dessa confraternização.

Beijo e kandandos meus, para ti e família e que as festividades sejam como acima explicitas, com alegria saúde, relembrando os que já cá não estão, confortando o que connosco estão e com o mínimo de consumismo, numa festa que deve ser da família e não pelos materialismos.

Beijo

Cristina disse...

Ângela
Que linda história de vida e cumplicidade! Vou tentar fazer a torta, não sou muito expert na cozinha, mas vou tentando. Boa semana para vc! Bjssssssssss

Folhetim Cultural disse...

Parabéns pelo blog e pelos textos... Tenho um blog chamado Folhetim Cultural gostaria que visita-se este é o endereço: informativofolhetimcultural.blogspot.com
Vamos trocar conhecimentos...
Ass: Magno Oliveira
Folhetim Cultural