quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mangia che te fà bene

Minha família, pelo lado materno, é de origem italiana. Sua história foi resgatada e está contada no livro No coração capixaba, dissertação de mestrado de Luiz Carlos Biasutti, ele também um descendente da primeira colônia italiana no Brasil. Há mais de cento e trinta anos um grupo numeroso de imigrantes das regiões de Trento e Alto Adige - pertencentes ao Império Austro-Húngaro, extinto na Primeira Guerra Mundial - chegou ao Brasil e fincou raízes no vale do Canaã, que recebeu este nome por causa do romance homônimo, de autoria de Graça Aranha, traduzido em muitas línguas e que trata do fenômeno da imigração. Hoje, o vale é o município de Santa Tereza, no Espírito Santo, mais conhecido por um de seus ilustres cidadãos, Augusto Ruschi, o naturalista que mapeou a flora de orquídeas e bromélias e a fauna de beija-flores de sua terra e que também descendia dos primeiros italianos no país.
Era uma gente valorosa, ligada à terra, à família e aos valores religiosos. Suas tradições estão preservados pelo Circolo Trentino di Santa Teresa, uma sociedade sem fins lucrativos criada em 1987.
Minhas lembranças mais remotas dessa descendência levam-me às reuniões na casa de minha tia Rozinha Dalla Bernardina Pretti - na verdade tia de minha mãe, irmã de meu nonno (avô).
Pareciam festa, com muita conversa, cantoria e risos. A mesa era imensa e minha tia amanhecia na cozinha, com suas auxiliares, porque o tagliarini era feito em casa, em uma máquina importada. Nunca mais comi uma massa igual. O molho era feito de tomates maturados - os pomos de ouro (pomodoro) - e cozinhavam durante horas, para 'apurar'. Aí, vinham os temperos e virava aquele suco denso, rubro, perfumado, inigualável.
Uma coisa me chamava a atenção: enquanto os homens brasileiros de origem eram contidos uns com os outros, os 'nossos' - tios, primos e agregados - se abraçavam e beijavam sem constrangimento. Era bonito de se ver.
Hoje percebo que o meu amor pela terra e seus frutos, meu gosto pela cozinha simples, mas também elaborada, e meu jeito afetivo, caloroso, têm seu começo lá, nos meus genes mais distantes. Tenho muito orgulho deles e, por isso, compartilho esta história com vocês.
Aprendi que comer massas, seguramente, não engorda, desde que as combinações estejam certas. Não se deve misturar proteína animal com molho de tomate - o resultado é uma fermentação de efeitos nefastos, que vão desde a produção de gases, até o acúmulo de toxinas no sangue. A despeito de tudo que se fala sobre carboidratos e peso, macarrão preparado com azeite, alho, ervas e legumes é um prato leve, com a vantagem de ser nutritivo e rápido de preparar. Vou deixar aqui, no próximo post, algumas receitas gostosas, boas de consumir acompanhadas de um bom vinho tinto, que também é funcional, pois contem uma substância chamada resveratrol, que blinda o coração e as artérias, e polifenóis, os antioxidantes de primeira linha.
Até lá, saluti!

5 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

AUGURI, amada!!!
Que dilícia...mas esse seu jeito de ser pode até ter iniciado lá, mas depois...como diz GOETHE: "Da herança de teus pais, conquiste-a para ti mesmo!" Nem preciso dizer que adoro a alegria dos italianos (sempre que viajo para o exterior me perguntam se sou rsrs, acho que é pela altura, gesticulo muito com as mãos, etc etc rsrs) e as massas, ai ai ai. Só mesmo aprendendo com vc, amiga, pois amoooooo tudo gratinado mesmo! Ai meu pecado, bendita GULA rsrs
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com
P.S. Se não tô aqui é porque ando apertada de costura!!!!

Angela Fonseca disse...

Querida Rê, diz o dito popular que 'quem sai aos seus não degenera'. Eu sou, digamos uma 'edição melhorada' kkkkkkkkkkkkkkkk
Pode gratinar, sem medo, escolhendo queijos mais light, para evitar a gordura; o que não pode é misturar o queijo com molho de tomate, que é ácido e não combina. Vou postar as receitinhas e você gratina se quiser. Vou pro sítio amanhã e ficar um tempo sem aparecer por aqui. Até a volta. Muitos beijos

Kimbanda disse...

Angela, amiga,
Gostei de conhecer as tuas origens e os detalhes tão bem explicitados. Depois vem o conhecimento, pois que eu nestas coisas da gastronomia só percebo de comer, degustar. Acho sempre, que é uma arte, um saber porque não dizer, um dom maravilhoso. É que a comida, principalmente com boa companhia é das coisas mais deliciosas de se viver.
Um óptimo fim de semana e deixo aqui o meu kandando amigo

Angela Fonseca disse...

Boa companhia, realmente, é ótimo em qualquer circunstância! Com suas visitas por aqui, e a de outros bons amigos, sinto-me bem acompanhada e feliz por poder agregar conhecimento. Tenho curiosidade de saber de que país você é, ou onde viveu. Pode me contar? Aguardo ansiosa. Bom fim de semana para você também. Vou para o sítio amanhã e, quando voltar, as notícias da cozinha continuarão a ser publicadas. Beijos

José Luiz Foureaux de Souza Júnior disse...

Chiquérrimo... Graça Aranha! Um dos livros qu emais me impressionaram... Sua citação fez despertar o desejo de reler...
Obrigadinho, mais uma vez!
beijinho